quarta-feira, 14 de setembro de 2011

urgência

surge nele a pressa que urge o tempo todo, que lembra o tempo todo; obsolescência pra quê te quero, não era disso que estava falando? [ô mania chata] essa que chama pra você o peso do mundo. decência, por favor! tudo sobre continuar ligado sobre tudo o que rodeia você, sobretudo aquilo que não importa tanto ou que pelo menos não depende quase nada da mesma pessoa a que faço referência e ele, aquele, continua na inércia [da urgência] menos pelo viés que pensava ser o certo - e quem diz "é este! [o certo]" insiste no erro do determinismo e das verdades incontestáveis; disse erro e então rotulou também, ditando a verdade e a mentira. Novamente inércia [igual] sem conhecer àquele mesmo ou mesmo a si, assim - missa pra quem tem preguiça ouvir, prece apressada pra quem não tem o que rezar. [ô minha casta] maldita que quer desfazer do contrapeso da balança. O vício do círculo é bem mais sério.

domingo, 11 de setembro de 2011

sobre indivíduos e pessoas [2]

saber que não é assim e assumir que, o todo, não é apenas simples somatória. num paralelo aritimético, continuamos assim, pode ser divisão, subtração, multiplicação e por aí vai, só depende de como as coisas se estabelecem. como. Definir pela intenção, pela idéia que se tem sobre a ação que vai do átomo ao cosmos. perceber que a grandeza é só um ponto de vista, é sempre um ponto de vista.

[...]

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

mosquito


você está parado

e chega o mosquito
o sanguessuga
quando você está admirando
e escutando o mais agradável
quando você acha seu ponto essencial
ele vem
o mosquito
suga seu sangue
te deixa em carne e ossos
e só
de onde você vem?
de onde chega a ferroada?
é tão difícil saber
e então você deixa
e se deixa levar
pela amarga sensação
que aos poucos te faz esquecer
do que não saboreava-se assim
assisto assustado, assumo em mim
a fome voraz e a sede insaciável
do que outrora condenei
o mosquito chega
e canta a vitória
o zunido aparece
e você agora é escória
não é mais possível enxergar outra coisa
apenas sente o gosto
amargo, amarelo
a fritura, o óleo
e então relaxa
se deixe levar
engula a seco
o fato é um só e não se pode sair
vou deixar com você um dia
afinal o maluco é a quem me dirijo
assim, e sim
reduza-se ao que é dito ser
e viva em paz.

http://www.youtube.com/watch?v=UiLsvRSU5H8

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

sobre indivíduos e pessoas

de todas as concepções que pude construir ao longo deste [curto] tempo, não pude entender como não foi possível que me fosse acompanhado de alguma maneira... o presente da suficiência pode ser na verdade aquela velha caixa de pandora (talvez pra si mesmo). uma explosão de coisas que depois de um tempo fazem todo o sentido. Não quero, com isso, achar que há diferença sobre o que acontece com os semelhantes; aliás, nunca foi sentido um igualitarismo tão grande como agora. e foi essa a diferença - saber que não é assim.

[...]

domingo, 31 de julho de 2011

sabe...

a facilidade em voltar a um ponto onde deseja, pode estar em enxergar [colocar] a ligação que facilita a volta, mas de uma outra forma, ou para um outro instante depois. 
diria-se posterior (o instante) se a concepção de tempo habitual fosse absolutamente verdade em todas as dimensões - o que pode, ou não, ser afirmado, mas não o sabemos por absoluto.
como voltando, mas com uma certa inclinação. o fluxo não é interrompido e nem se repete (apesar de nunca ser, mas a sensação disso imagino que seja forte). acredito no cíclico.
e, penso, é mais fácil conduzir-se conhecendo o passeio (o todo) do que ficar eternamente preso com ela (a sensação) te dizendo o contrário.
enfim...

sexta-feira, 22 de julho de 2011

de algum a lugar nenhum

o que não diz, dessa energia que está em tudo. olho para um ponto e penso que se perder é mais fácil quando se está em movimento. e quanto ao momento, procurar é tão exaustivo quanto a própria espera. seria o caso, então, de não procurar; deixar-se levar...
a saudade é traiçoeira, espera-se muito mais do que é evidente. e faz acreditar que é recíproco... dizer algo com clareza nunca foi tão difícil, diria até que nunca foi possível.
algum dia me peguei fantasiando sobre situações e sobre o que dizer. como se a simples imaginação fosse materializar algo tão metafísico quanto a própria alma. por outro lado, quem é alguém pra dizer que não seria possível? o fragmento se realiza, construção subjetiva das mil e uma imagens.
cor, cheiro, nuvem, contexto e contesto, eu protesto! não quero ficar aqui assim.
ao estar em movimento, achar é mais difícil. desencontro.
ao fincar-se no porto seguro, a comodidade seduz. desencanto.
a fúria com o fato e a falta de tato, tosco. em que mundo?

segunda-feira, 11 de julho de 2011

desmancha

um leve toque. sinestesia contínua. olhares com forma. formas com cores. cores com toque. um diz que não entende. outro tranquiliza. respiração. respiração. respiração sólida. fumaça. turbilhão. turvo. toque. toque dissolvido. solução. calor. calor. cheiro. fumaça. gosto de sal. gosto cinza. maleável. motivos, motivos. não encontra. perguntas. não é hora. respiração. formas. cores. fumaça. afastam-se, não entendem. um leve toque. [re]desperta. sincronia, mãos, dedos, fluxo. fumaça. fermentação. amargo. cachos. cintura. cores. braços. magnetismo. respondem pela cor. respondem pelo cheiro. respondem por não saber. sabem a fumaça. sabem tudo isto. instáveis. risada. risadas. se desfazem. voláteis. não há um; nem dois. volúveis. delicados quanto firmes. calor. cores. vulneráveis. um ao outro, fumaça. vêem-se. ocupam-se. indefinidos. como um gás; indefinidos.

sábado, 18 de junho de 2011

diafragma

Bate uma madeira. Ouço um sino. Um metrônomo.
um tempo passa, os sons se misturam...
Um rolar de engrenagens, dos ponteiros do relógio
TICTACTICTAC
um sino de telefone, máquina de costura, alguma coisa elétrica
gritos nervosos ou agitados ou desesperados
Sinto o vibrar de passadas próximas, várias, mais mais e mais
sapatos, rodas, holofotes, vibração, luz de neon, britadeiras, suor concreto pombas folhas secas portas carros fumaça gente falando asfalto fervendo gente correndo existência derretendo a vida saindo e a bomba caindo.


notei que, naquele instante, pelo menos, eu não fazia diferença alguma ali. Era completamente ignorado.


paz.

domingo, 12 de junho de 2011

daqui, para lá

quase cheguei a pensar que estava realmente preso naquilo. Mas não era bem naquilo, era com aquilo, que eu estava preso. E por mais que fizesse força, de absoluto em nada parecia adiantar. Comecei a pensar nos velhos clichês, e me ocorreu então: será que se aproximar mais, ele solta? mas que pensamento... de fato quanto mais eu pensava nisso, quanto mais eu sentia aquela força em volta do músculo mais aquilo me consumia e mais ainda me fazia lembrar. Era uma bola de neve. Foi quando comecei a pensar como funcionava aquilo, como estava preso e porque não era nem um pouco maleável. Imaginei de onde vinha cada peça, imaginei os grandes movimentos e as laboriosas mãos pelas quais passaram! que dias que demoraram até que ficasse pronto; nossa como eram complexas as estruturas!!! pensei em cada átomo, cada ligação química [pelo menos tentei!], onde já estiveram cada uma dessas... na verdade me interessei bastante por isso.

domingo, 5 de junho de 2011

fora do lugar

alvo dissolvido, sempre há mais tempo [agora]
raiva pra não se sabe onde, o desvio pensado
o escape num produto, a grande pira do consumo
desestímulo programado e a obsolecência natural

nada de se levantar!
ir contra é ir a favor, mais do que nunca
agressividade [passiva] para lutar
e com o passar do tempo, cair na real
reproduzir, reproduzir, reproduzir

mas não se levante! ainda não chegou ao fim

entretanto mova-se, a moldura trocou de cor
não perca tempo, veja a concorrência
tudo vai melhorar, é só esperar
uma questão de tempo ser o tempo uma questão

paranóia criada
esperança criada

esperança distorcida
paranóia duplicada

paranóia em descrédito
esperança aniquilada

esperança falsificada
paranóia sem cenário

paranóia apropriada
esperança assassinada

contra?

domingo, 22 de maio de 2011

dor de cabeça

que saindo pela porta o ar pesado e confuso com coisas que nem cabem neste momento dizer, perceberia-se o contentamento de quem antes mandava e desmandava [o pretérito é uma questão de conveniência]
mesmo assim, devemos externar, explode uma súbita reação e um sentimento de resistência que aos olhos de fora parecem tão sem sentido [talvez seja mesmo, mas o que dizer sobre o que é o que não é, sobre o que vale ou não? quem pode?]
no menos, pelo pouco, deveríamos admitir que algo tem mudado... só está difícil parar de girar

sábado, 30 de abril de 2011

ampulheta [3]

faz o caminho de volta, levando consigo a sustentação. Sabe? aquela sensação de quando a onda recua e, pouco a pouco, leva consigo a areia que está debaixo dos pés... Sensação de pouco a pouco ficar sem chão; e foi assim. Mas às vezes [na maioria delas] ele esquece que é só mexer os pés, que o chão volta. e volta mesmo. É só virar a ampulheta, que a areia continua se movendo e o tempo correndo.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

questão de ângulo

Vem ao encontro! a necessecidade do movimento contemplada, enfim!
Vai ao encontro... E ele não quis saber o motivo. Sentiu apenas a constância chegando, os dias ficando iguais, as reclamações sempre as mesmas. Conhecer a própria casa - depois de vivê-la, como não poderia deixar de ser - implica em observá-la de fora... e de longe, muita das vezes! e entender o que está longe, depois de visto, implica em estar na própria casa. Olha que ele nem vai ficar tanto tempo assim, e é bem verdade também que não sabe isto ao certo; cada hora quer uma coisa, uma cor, um tamanho, uma (des)proporção... e acaba conseguindo. Uma única célula de qualquer tipo de ser vivo é tão complexa quanto o próprio Universo (e é sempre bom lembrar da recíproca!). E agora?
Foi ao encontro... do quê?

Amor, venha! venha ver a casa, antes que a pintem novamente!

sábado, 9 de abril de 2011

Espelho

De qualquer forma podíamos querer que tudo fizesse sentido. E a ligação que tanto esperou-se foi assim, sem mais nem menos, se esvaindo junto com um sentimento que julgavam ser sólido. E houve quem dissesse que, sólido ou não, era pelo menos verdadeiro. Engano. A temperatura sobe enquanto a verdade aparece. Ebulição. Tudo para nos provar que, sobre este tipo de coisa, nunca se pode ter certeza. Encontra-se então entre o abismo e a depressão. de fato, não há como saber. Qualquer que seja a via, as coisas podem ser tão proporcionais ao seu inverso quanto a recíproca permite. Não sei ao certo se existem escolhas.

segunda-feira, 14 de março de 2011

ampulheta [2]

ficou lá parado, esperando a água chegar. Timidamente, ela se aproxima... faz que não quer, quase que encosta. Recua. Vem outra com mais força. Agradável sensação essa primeira de todas. Agora só é possível perceber a parte de cima dos pés, o peito. Com o lençol turvo vai sendo coberto, até tudo parecer uma coisa só. Segundos. E como que por encanto, obedecendo a todas estas leis que neste ou em quase nenhum momento sequer lembramos que existem, a onda faz seu caminho de volta.

ampulheta

acompanhados pela luz branca que tanto reflete na areia e deixa-nos com a impressão de ser mais branca ainda, caminhou até a beira d'água. O intuito era sentir aquele vento batendo nas mãos que ficam ligeiramente inchadas com esse ar marítimo. Gritar, soltar tudo aquilo que inclusive fisicamente não cabe mais em você, de alguma forma. Foi feito. As horas anteriores haviam sido esquisitas, de uma embriaguez diferente, sincronizada.

sábado, 5 de março de 2011

porque sim não é resposta!

O que dizer sobre os lugares comuns a que todas as vontades se referem, eu não sei. Não sei não porque não sei o que quero (o que, com toda certeza, não sei mesmo). Não sei porque não consigo acreditar em uma razão verdadeiramente sentimental ou de qualquer ligação mais forte com esses lugares comuns. A cidade, as pessoas, o "progresso", o emprego, os carros, os espaços bem ou mal ocupados, nada disso faz muito sentido para quem só quer sentir vida. Não quero me limitar ao clichê do "desapegue-se das coisas materiais", até porquê (eu sempre chuto qual "porquê" deve-se usar) de matéria somos feitos, então... mas creio sim que há muita coisa a mais do que essa matéria; muito mais do que imaginamos conseguir um dia entender. Pode ser que aí esteja a solução pra essa procura infinita pelo quê a gente não sabe exatamente.
E como de costume, acabamos por aqui, pela metade, pelo terço ou pelo centésimo, também não sei. Ô paranóia...

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

... que não quero me tirar!

as cartas passam
em minha mão
enquanto a mesa caminha
sem direção
todos pensam que não há mais nada
para ver

e no tempo em que eles
vivem suas vidas
enrolados no tempo
são suicidas!
eu procuro algo a mais
que grita em mim

e o que eu quero é você
em quem eu penso é você
o que eu procuro é você
e é de você que não quero me tirar

nesses anos
tão plastificados
tão instantâneos
tão quantificados
quero algo de verdade
que me faça entender
o valor do olhar
que me faz perder
o sentido do ser
e derreter
como costumávamos ficar
quando o relógio ainda não era presente

posso estar de acordo
com nunca mais te ver
e talvez não seja uma má idéia
mas o que eu sei é que agora
é o que mais faz sentido
e ninguém nunca vai saber
do que e como seria
se eu não usar a voz e gritar

que o que eu quero é você
que em quem eu penso é você
que o que eu procuro é você
e que é de você que não quero me tirar.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

AB

A menor distância entre dois pontos é uma reta. Mas quem disse que pretendo ser breve? Cada curva a mais é um ponto, e merece ser vivido! e quanto mais curvas, melhor.

tenho dito!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

[...]

dessa mania métrica, manipulada, mediana, mais ou menos, muda! Mostra mundo, oculto, que sua dinâmica tem vida própria; prova mundo, o absurdo que é saber sem viver, conhecer sem sentir!!!Mundo muda, mundo, se quiseres continuar a existir... muda mundo, muda.