segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

sobre a academia

Um universo que afasta, o pensamento que te domina é de que pertences, no mínimo, a outro lugar, mais escuro e úmido. Obviamente que, se comportando bem ao não chocar a Ordem, sua tendência é ser agrado e, no dado momento, beatificado. É isso. São feitos beatos e não faltam ao Senhor nem que isto custe já estar no inferno. Separa, então, o joio do trigo, e como todo alienígena conformado com a magia da energia que se auto regula, o movimento das estrelas não se pode controlar. Os astrólogos do fim dos tempos mascaram individualismo com macias plumas de transgressão solitária, que só os beatos atingem. Mas desses, só da roupa pra fora.
As teses se peneiram e forçadamente não se complementam, numa sinestesia cínica e inquestionável. Harmonia que reconhece e exclui, não sem antes assimilar o que mais convém: subjetividade, seu dom de arrancar comida de areia, seu ritmo e gingado. Os dentes sempre à mostra, o olho apertado.

A resistência não, muito obrigado. E passe bem, nos dizem.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

no sentido contrário da esteira, 
se preparar para o salto na realidade
resistir nunca será ficar parado
tomar a curva de assalto, é verdade


quarta-feira, 29 de agosto de 2012

cegueira por confusão ou ilusão
labirintite política nanana sentimental

domingo, 12 de agosto de 2012

sexto sentido

morre por não ter motivo
morre por ficar sem saber
morre por perder o sentido
e vive sem conhecer

vive por medo de passar
seu trágico fim de vitrine
pra deus que vá te punir
por viver sem medo de morrer

morre pois sua vida de massa
se move e às nove não passa
não se enxerga em estatística
[só carpete, concreto desgasta]

morre por um que é confuso
vive por moral resignada
não sabe que és dono da História
e da pesada corrente que arrasta.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

pontilhado

e tudo virou magro, mato seco onde depositam. e equívocos da direção, percepção ou a erudição, é como nunca tivesse acontecido. assim merecidamente repelido como mosquito inconveniente a zumbizar. inocentes por avisar; voz alta, foi embora como se nunca tivesse sido, posto pra dormir lá fora. aprendes a conciliar a esmola à casa que assalta. tanto que se tente a possibilidade não esgota. enquanto houver gente.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

transtorno

é louco, e o que mais deixa passar, como no sonho, vontade. por vezes o que é toma forma e vai embora; por meses, a certeza aperta a alma e a chama pro dever. ou o fogo pro que quer ser. é pouco. e a mente sente a alegria e a gente, somente, a velar. é solto. e como conflito o que tenta é expressar, o pé-no-chão arrastar. corrente. escape pra sempre e somente, o tato dormente, seus fios, seus linhos. tormenta. seu laço não atende. fantasio. extasio. quase sentir de verdade. mais do que expressa presente. é louco e é como no sonho. mas só durante o sono. pálido ou arenoso. à linha de um retorno.

sábado, 7 de abril de 2012

sobras

passo com a mesma única sensação. mas sou diferente. reparo que ela se deforma ao se chocar com tantos outros interesses... paro de vez em quando, o passo que queria dar era o de não ser ouvido. mas soou diferente; a nota que tocou no falante, e dizia 'distante, com violência!' a resposta foi rápida e clara. como pensar que seria tão difícil se livrar dessas coisas?
e não se trata de nostalgia, não mesmo! é que hoje simplesmente não consigo saber a diferença sobre o que é e o que está. e quando se trata de ideologia, a nota toca suave. sedutora. ressoou no que eu não tenho controle. e impôs a saudade do futuro. sobre minha mente, sobre meu corpo. nos colocam a perseguir a própria sombra, e as outras sombras, a perseguir também, apenas como sombras. apenas como sobras. de um mundo já bem cheio.

sexta-feira, 16 de março de 2012

uma palavrinha sobre ordem

impressionante nossa capacidade em sempre reclamar das mesmas coisas.
e nossas causas, sempre lá tão óbvias, tão bem representadas por chavões. ô ladainha que não muda;
acontece que não muda também sobre toda forma de poder que a gente se debate. não tem pós nada, ainda há uma bolha de contradição!
tudo pós é novo, seduz e é bonito. brilha e tem cheiro de fresco
bem ao jeito do diamante sangrento
que sustenta o respeitado brasão!
mantenhamos a base daquela coisa
a que nos quer livre de toda opressão
a que deixa que se desvenda a verdade do seu corpo a venda, deixar que tu controle bem mesmo aquilo que é mais seu. deixar que tenha amor, onde ainda não floresceu.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

esses tempos

pela hora em que as lutas se transformarão em uma só e que o grito de toda gente se converta em muralha de resistência, em força materializada de um povo que deseja viver em paz
muito embora o que se consiga de desmoralização seja impressionante, serve para frear a nossa roda, para nos apontarem os dedos para dizer 'viu, é só cada um conseguir o próprio que a classe vai pras cucuias'. como ouvi um professor, doutor, dizer em tom irônico 'é só ele conseguir terra que ele fecha o portãozinho e vai cuidar da própria vida'.
que prazer eles sentem ao presenciar isto. e não se pode negar de maneira nenhuma: acontece, sim.
mas o que a cegueira forçada e a burrice da classe almofadinha prefere não falar sobre é a dificuldade de se viver em um cabo de guerra em que o oponente é subjetivamente milhares de vezes mais forte - como o elefante explorado no circo que se vê preso à estaca de madeira desde o seu nascimento; bastaria um puxão e seria livre, mas ele não sabe disso; está preso desde seu nascimento, condicionado. bastaria um puxão...
é justamente sobre tudo que NÃO DEIXA que a terra seja comum, que o trabalho seja distribuído, que haja pão para todos. que não permite que se tenha o mínimo disso tudo sem ter que passar uma vida inteira lutando. colocam a culpa no individualismo natural do SER humano. que é impossível sermos COMUNS. e a liberdade de poder foder com a vida dos outros para que possa ter conforto?

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

se não, sei

se não fosse pelo jeito que olha com curiosidade, meio por cima. se não fosse pelo vibrar apaixonante que notavelmente sente ao falar daquele outro mundo que tanto se tenta. se não fosse por me fazer tremer da mesma forma.
se não fosse por brilhar os olhos quando atingimos afinidade
se não fosse por eu quase nunca voltar pra essa cidade
não saberia dizer o que me faz querer tanto, não entenderia qualquer parte!

mas eu sei. e te sinto. queremos. o mundo, as pessoas, igualdade. a casa, o quintal, tranquilidade.

senão seria muito mais fácil não ligar.
senão seria o caso de não ficar
senão nos daria por vencidos e as coisas seguiriam.

mas eu sei.

se não fosse essa série de pequenos fragmentos e toda uma linha lógica que fazem parte da mesma coisa... o meio disso não seríamos nós.
senão, ainda te lembraria dizendo que isso aqui é bem real. e como bons materialistas, saberíamos!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

alunos

falta o que, então, para que se toque o próprio alarme e soe o incômodo?
e o que falta, então, para que se desistam das lamentações e das projeções cômodas/preguiçosas?
no que tem se resumindo a maioria de nós;
a satisfação num produto. no circo, principalmente no circo! no pão amanhecido... na possibilidade, na ilusão de oportunidade, nas exceções, nos preconceitos transformados em piadas que limpam a consciência dos mais vigorosos fascistas, no fetiche, na imagem... na vida legal e divertida do sertanejo universitário.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

brinquedo

algo como perder sem ter
traz consigo o infantil sentir
do que não era meu mas poderia ser
e do que recusei por capricho
e pretendia controlar e poder
o que de caso nunca teve;
mas a possibilidade traz conforto
e pôde manter, sem nenhum esforço
com juras egoístas por nada merecer,
tão tolo quanto quem critica
de um insensível resquício machista.
o que parece, pois
essa coisa incontestável
esse incômodo lamentável
e o impulso quase incontrolável
de possibilidade tentar reaver
e que de fato só pareceu manter;
por conveniência e narcisismo
existe sujo e mora em mim
a vaidade controladora
a condição para outro ver
sem considerar que do outro lado
tem alguém que espera a ti
sem censurar um dizer falso
e fazer por merecer
eu, sozinho entardecer.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

véu

Tampando o que alivia o rosto, finalmente ajustou seu ponto de vista e a própria circulação do sangue. O horário era apertado e ele sabia disso o tempo todo, apesar de não assumir. É sempre um risco que se corre... E sobre a legalidade dos fatos, insurge no meio das coisas e o mínimo a todo instante, no cínico ideal que leva as ideias tão ao pé da letra que as mentiras são feitas por si mesmas. Por surpresas? acho que tudo, nesse sentido, dá pra pelo menos especular, não é surpresa. Pelo menos não pra quem dedica um pouco de atenção pra isso. Enfim... tomou distância o foco para alinhar a visão. Ali, a circulação do sangue. Com o horário apertado então, não deu o tempo de enxergar direito o que aquilo queria dizer, por que aquilo foi feito por no mínimo quatromil anos. Mas ainda bem que existem outros embaraços tentando se desfazer... ainda bem.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

até que eu tenha que ceder

À parte do que se levanta contra o que quer ser contra. Se torna uma questão de sobrevivência, não física, mas de sentir-se alguma coisa. Cada momento que se pensa o tempo passa. Diluindo a vontade de não querer fazer parte disso tudo. Cada segundo que se percebe é outro. E é notável a grandeza; carro ônibus asfalto fumaça internet, macroeconomias. Feeling the news a todo instante - não vá se isolar!
Até que eu não tente compreender que força é essa que me leva pra forca, que novidade é essa que não tem nada de atual. Que não tem nada daquilo que a propaganda coloca; necessidade de ser único onde todos querem a mesma coisa. Imagem, fetiche do ser. Autoafirmação sem muitos objetivos... e de um jeito ou de outro é engolido - mais parece ser palpável aqui o grau da resistência.
Os amigos ficam pelo caminho. Até que eu dê peso à vontade de pertencer a um grupo - mas os estigmas ficam...
Até que seja vencido pelo cansaço e assuma essa liberdade alugada. Essa impressão tão bem mascarada, tão bem projetada.
Até que eu tenha que gostar de fazer parte da geração que acha que desvendou o mundo sem se levantar... que viu serem pisoteadas todas as bandeiras verdadeiramente democráticas e implantar de uma vez-quase-que-por todas o espírito de competição no mais profundo pensamento humano, o sentimento de que "antes ele do que eu"; que aceita a notícia mastigada mas que na verdade, mesmo, não está nem aí. Já somos livres, não precisamos mais disso! até que eu torça todo final de ano pra uma marca de tênis e uma de cerveja serem campeões do campeonato brasileiro...
Até que eu tenha que ceder às coisas como elas são?

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

pés pelas mãos

o que se sentia era liso como o azul daquele céu nos dias limpos
e os corpos, dançavam em descompasso o ritmo espalhado
nunca tinham enxergado pela mesma coloração
e o prisma pelo qual puderam ouvir aquele gosto entre agudo e grave
se mostrou tão sólido quanto o que nos mostra o que é ser

insisto em lembrar do que não consegui sinestesiar
e outra hora a fantasia do inimaginável 
era tão possível quanto desejássemos chegar
um delírio que se fez dentro de outro anulou seu encanto
e foi por pouco tempo que se fez para tanto
um quase que fica longe do tênue
mas separa agora e sempre.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

rotina

o cheiro quente do asfalto quase úmido refletindo a incoerência daquele outro. o pé dormente dizendo que faça desse tempo um esboço, ensaio pra ação. um minuto a mais e já se torna o que transtorna. o que é isso que dá vida até presente momento ninguém soube dizer. e o que souberam foi descrever o que fazer. fórmulas mágicas. todo dia é a eternidade dentro dela mesma. todo dia é fuga do que se passa. todo dia é tentativa falha. toda dia é reza sem sentido. toda pressa pra não se sabe onde. e o centro só é centro quando se conhece o canto. quando se conhece o lado. quando enxerga sentido. e sentindo o que segue. o cansaço pressupõe esforço. e o esforço vem com a vontade. que se esvai. com as forças. todo dia é tentativa falha. todo dia se reza mentindo. cansa. todo dia. o cheiro quente do asfalto tapete do tempo. um dentro do mesmo. todo dia. acorda de um pra sair no outro. pra entrar no gosto. pra tirar o gosto.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

cansaço de você

alguma vez você se pega desfazendo. de sua forma de morrer contínua. do circuito em forma de oito. declarado não chega o final. que cansado não se aguenta de pé. no tamanco de fumaça que só de vez em quando parecia ser presente. que só de vez em quando pareceu ir embora. mas sempre negando o benefício da dúvida; o benefício da dúvida. do roxo latente que machuca o sentido. e que não poderia ser de outra forma. e a forma de outro dizer não seria outra cor. e outra cor não conseguiria atingir a vibração. cansaço de você. a frequencia baixa e forte. minando aos poucos. cansaço de viver. no lugar de sentir, rótulo. e o sentido do lugar se perde. dentro do quê aparece onde; qual escala? a matéria questionou o tamanho no espaço. da historia se tomou compreensão escassa. de você, o cansaço. mesmo.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

uma revolução acontece. um grupo de homens, influenciado por um só ou não, aí já não sei como saber, percebeu com repulsante brilhantismo que poderia dominar outros homens através da força violenta;
outra revolução acontece. então, um grupo de homens, agora acho que dá pra dizer que a influência aconteceu e agora tudo é grupo e ciclo, percebeu com igual asquerosa astúcia que poderia dominar - ou, com certeza, continuar dominando - outros homens através da força violenta e das idéias, e que a violência seja usada, claro, apenas quando 'necessário', quando o prazo de vencimento da idéia começar a extrapolar suas limitações; quando outro consegue tornar palpáveis as contra-idéias, este das idéias recorre à violência, e > recorre às idéias para justificar, e se não der certo ele cede um pouquinho, e e com isso consegue uma nova idéia que soe mais branda, e ele chama pra fazer parte até tirar o contra da [contra]idéia, e quando tudo isto consegue ser superado pelo que sobrou desta, ele volta à violência e daí <


quanto custa, mesmo?

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

tensão?

de jeito e maneira, já nos disse aquele pensou toda a história pela perspectiva do que o homem fez com as próprias mãos, embora completamente dominado, que foi sempre um cabo de guerra. A diferença, ouvi, dessa vez, é que não há mais choques, é tudo relativo, relativo, relativo. é? é mais fácil pensar assim, exime de toda responsabilidade.
é sabido, claro, que com tanta gente no mundo fica muito mais difícil distinguir um vilão e a vítima, principalmente quando a vítima torna-se seu próprio vilão. e aí eles nos dizem que não tem jeito, é claro, precisamos de alguém nos cuspindo o que fazer; que no máximo devemos cobrar aqueles que foram parar lá de forma, sim, democrática [ouve-se uma gargalhada nessa hora] o povo engole e, se a sacanagem acontece, é culpa dele mesmo, é culpa de quem não investigou o passado de um certo filho da puta que com certeza é dono de terras, ou pastor de uma igreja cujo dinheiro é, óbvio, para a obra de deus, ou empresário, ou chefão de alguma mídia, ou tudo isso junto ou, mesmo não sendo nada disso, um fantoche.

nada é colocado de forma a fazer pensar que podes tomar as rédeas e decidir por ti mesmo. e o vício da velha mania de delegar aos outros sua própria liberdade; nos fizeram preguiçosos e a inércia cumpre seu papel.
existe outro caminho. tem que existir.

mas, como já dissemos e ouvimos, uma andorinha só [pode até dar impressão, mas] não faz verão.

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